A diversidade de estilos que eu tocava fez com que, a partir de 1994, eu fosse chamado a realizar diversos trabalhos com grupos de rock, cantores de MPB e música regional. Acompanhei, em apresentações especiais, nomes da música brasileira como Oswaldo Montenegro e Paulo Miklos, momentos marcantes e peculiares. Acompanhei o Coro Municipal de Uberlândia, sob a regência da criativa e batalhadora Rejane Paiva, em apresentações sempre alegres e inusitadas, numa jornada prazerosa e inesquecível! Integrei o Grupo Amacordes, unindo o erudito e a MPB, com músicos queridos como Maria Célia Vieira, Sérgio Melazzo, Flávio Arciole, Poliana Alves e Cícero Mota. Fizemos saraus e eventos extremamente elegantes e refinados (bem diferentes das noites tocando rock).

A música ganhou uma dimensão em minha vida que prejudicou a faculdade. Voltava para casa às quatro da manhã (com os teclados às costas) e, às seis, me levantava e ia para a aula. Muitas vezes a carteira da sala de aula foi minha cama e, a pilha de livros, meu travesseiro. Da faculdade eu ia ao shopping, tocar piano no horário de almoço. De lá para casa, compor alguma trilha sonora ou jingle, sob encomenda de estúdios publicitários onde, ao entardecer, finalizava o material. Quer ouvir alguns exemplos desse trabalho? Visite a seção "SOUNDTRACKS". A essa altura, trabalhando e ganhando o meu próprio dinheiro, não via mais sentido em continuar a faculdade. Eu não seria economista, já era músico! Conversei com meus pais. Mãe, que é sempre mãe, apoiou o que me fizesse feliz. Pai, que é sempre pai, não gostou, esperneou, criticou (provavelmente o que eu faria, fosse meu o filho). Mas não há argumento que convença uma alma a se negar em perseguir seus sonhos.

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